sexta-feira, 12 de junho de 2020

Capítulo 1

PRIMEIRO PERÍODO DA MAÇONARIA NO BRASIL E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL


Quando D. João VI regressou para Portugal em 26 de abril de 1821, aqui deixou seu filho Pedro de Alcântara como príncipe regente, o futuro Dom Pedro I. Ele, com apenas 23 anos de idade e com muito pouca experiência.

 Rapidamente, o príncipe, inexperiente, se viu envolvido com intelectuais políticos ligados à maçonaria os quais constituíam a elite pensante da época.

Nesta época a corte em Lisboa exigiu também, o regresso do príncipe regente, com justificativa de que ele deveria completar seus estudos em Portugal

Nas lojas maçônicas foram estudadas, discutidas e aprovadas várias decisões importantes, como o manifesto que resultou no Dia do Fico.

 Os maçons, como José Bonifácio, Cipriano Barata, Gonçalves Ledo colecionaram em um documento com oito mil assinaturas solicitando a permanência do Príncipe Regente no Brasil.

O documento foi recebido e aprovado pelo Príncipe Regente em 9 de janeiro de 1822, data que ficou conhecida como o “dia do (eu) fico”.

A história da Maçonaria no Brasil começou a ser registrado partir de 17 de junho de 1822 com a criação do “Grande Oriente Brasileiro”.

Portanto, considera-se a Potência Maçônica mais antiga do País, que na ocasião, operava no Rito Moderno Francês.
Antes de 17 de junho de 1822, já existiam varias lojas Maçônicas independentes dispersas pelo país afora.

No Rio de Janeiro em 15/11/1815 já havia sido criada a Loja Maçônica Comercio e Artes.
Sendo considerada a Loja mãe da maçonaria brasileira, berço onde foram geradas definições estritamente politicas em defesa da Independência do Brasil.

Ela contava com grandes números de obreiros entre eles: José Bonifácio de Andrade e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo, Padre Januário da Cunha Barbosa e outros.
Estes maçons fazia parte dos que compunha a elite de intelectuais políticos pensantes da época e dando suporte diretamente ao Príncipe Regente.

Mas, somente quando a campanha pela Independência do Brasil se tornou mais intensa, é que foi criada sua primeira Obediência com jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de auxiliar e levar a cabo o processo de emancipação política do país.

  Para sua regularização e para que essa iniciativa tivesse respaldo legal, foram criadas mais duas lojas por meio do desdobramento do quadro de Obreiros da Loja Maçônica Comercio e Artes.

Para que a Loja Comercia e Arte fosse desdobrada em mais duas os Irmãos sendo distribuídos, através de sorteio, dando origem, às Lojas:

Loja Comercia e Artes Nº 01.
União e Tranquilidade Nº 02.
Loja Esperança de Nictheróy Nº 03.

Após a criação destas três lojas é que se deram condições de ser criada a primeira obediência maçônica com jurisdição nacional.

 Então em 17 de Junho de 1822, foi criado o Grande Oriente Brasileiro e José Bonifácio de Andrada e Silva sendo eleito ao cargo de primeiro Grão-Mestre, Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Grande Vigilante e o Padre Januário da Cunha Barbosa o Grande Orador.



José Bonifácio de Andrade e Silva

Enquanto isso crescia em todo o Brasil, o movimento pela Independência, encabeçada pelos maçons.

O Príncipe Regente por convite de José Bonifácio  foi iniciado na loja Maçônica Comércio e Artes Nº 01, no dia 02 de agosto de 1822. De imediato foi elevado ao grau de companheiro e ao de Mestre.

Ao iniciar na maçonaria costumavam o iniciado adotar um nome simbólico que hoje só continua sendo adotado nos Graus superiores a partir do Grau quatro (4).

 O nome maçônico adotado pelo Príncipe Regente Dom Pedro foi “Guatimozim” em homenagem ao último imperador asteca.

 É impossível entender o processo de Independência do Brasil sem estudar o papel da maçonaria naquele período.

Foi um período de muitos acontecimentos no Brasil muitas  preções por parte de Portugal querendo o retorno de Dom Pedro.

Em agosto de 1822 foi enviado um comunicado ao Príncipe Regente solicitando seu retorno imediato para Portugal.

Por motivo de Dão Pedro estarem de viagem a Santos em São Paulo quem recebeu o comunicado vindo de Lisboa foi Maria Leopoldina, sua esposa que exercia forte influência política nas decisões do governo.

Devido aos acontecimentos que estava sucedendo mesmo o Grão Mestre do Grande Oriente Brasileiro José Bonifacio estar em viagem seu Grande Primeiro vigilante nosso irmão Joaquim Gonçalves Ledo em 20 de agosto de 1822 é feito uma  convocação extraordinária para os maçons do Grande Oriente Brasileiro.

A reunião sendo convocado pelo Primeiro Grande Vigilante Joaquim Gonçalves Ledo ao assumir o primeiro malhete expôs o motivo da reunião.

 Joaquim Gonçalves Ledo profere um eloqüente e enérgico discurso, expondo a todos os irmãos presentes a necessidade de se proclamar imediatamente a Independência do Brasil.

A proposta foi posta em votação é aprovada por todos, quando em seguida foi lavrada a ata da reunião. 

Já em dois (2) de setembro Leopoldina articulou uma sessão extraordinária com o Conselho de Estado assumindo como regente interina durante a ausência de Dão Pedro, que estava de viagem.

Nessa sessão foi exposto o comunicado vindo de Portugal, durante a reunião exposto também por Ela, foi assinado a declaração de independência do Brasil.

 Desta forma, temos o fato histórico de que a independência brasileira foi assinada por uma líder feminina.

Dom Pedro que já estava voltando de Santos para o Rio de Janeiro, em sete (7) de setembro de 1822, estando às margens do riacho Ipiranga quando os mensageiros que tinha sido enviados do Rio de Janeiro por Maria Leopoldina lhe trazendo aquele decretos de Lisboa, juntamente com uma carta do ministro José Bonifácio e da princesa Leopoldina.

Diante das ameaças feitas pela Corte Portuguesa, os apoiadores do príncipe aconselharam que o único caminho a ser seguido fosse o de total separação de Portugal.


A Proclamação da Independência do Brasil ocorreu em 07 de setembro de 1822, mas sua posse ao cargo de Imperador só aconteceu em 12 de outubro de 1822.

Menos de um mês depois da proclamação da Independência do Brasil, no dia 4 de outubro, José Bonifácio foi sucedido no cargo de Grão Mestre do “Grande Oriente Brasileiro” pelo então Príncipe Regente.

Dom Pedro I



Dom Pedro ao tomar posse como Imperador do Brasil em 12 de outubro de 1822 gerou muitos descontentamentos, entre alguns de seus auxiliares e também entre o exército leal a Portugal.
Os fieis a Portugal deram muito trabalho a Dom Pedro I. O combate entre eles e Dom Pedro durou até meados de 1824.

Teve também interferência de seus Irmãos da Maçonaria os liderados por José Bonifácio de Andrada e Silva, defendia  que o certo seria Dom Pedro manter um  governo em regime de monarquia constitucional.

Os de Joaquim Gonçalves Ledo, defendia a ideia de regime republicano, assim criando uma instabilidade nos primeiros dias da Nação independente.

 Por motivo da instabilidade no governo e da rivalidade política entre seus auxiliares e também Irmãos maçônicos.

No dia 25 de outubro de 1822, Dom Pedro I, no uso legítimo de seus poderes como Grão-Mestre, tomou a decisão de suspender por tempo indeterminado os trabalhos da Maçonaria do Grande Oriente Brasileiro.
Portanto Dom Pedro permaneceu no cargo de Grão Mestre do “Grande Oriente Brasileiro” apenas por vinte e um dias.


O primeiro período da maçonaria no Brasil foi de 17/06/1822 a 25/10/1822 portanto apenas 128 dias.


Dom Pedro I enfrentou muitas dificuldades para consolidar a independência do Brasil.
 Em seu primeiro período como Imperador ocorreram muitas revoltas regionais, oposições políticas internas, sendo reações que era contra ao processo de Independência.
Em algumas províncias do Norte e Nordeste do Brasil, militares e políticos, ligados a Portugal, não queriam reconhecer o novo governo de Dom Pedro I. Nestas regiões ocorreram muitos protestos e reações políticas. Todas elas tendo que ser combatidas.
José Bonifácio foi um dos que mais organizou operações militares contra alguns focos de resistências á separação de Portugal.


Por motivo de vários acontecimentos no Brasil ainda em 1823, durante debates na Assembleia Constituinte ocorreu seu fechamento em 11 de novembro de 1823 dando-se o rompimento de José Bonifácio e de seus irmãos Martim Francisco Ribeiro e Antônio Carlos Ribeiro com o já imperador D. Pedro I.
 Com consequência deste desentendimento Jose Bonifácio se desligou do Governo. Ele e outros foram exilados na França por um longo período.


Em 1825 começou uma nova rebelião na província Cisplatina, sendo uma tentativa por parte das Províncias Unidas do Rio da Prata de anexá-las, levando o Brasil a entrar na Guerra da Cisplatina.
A Guerra da Cisplatina foi de 1825 a 1828, entre Brasil e Argentina, pela posse da Província de Cisplatina, atual Uruguai localizado numa área estratégica, a região sempre foram disputadas pela Coroa Portuguesa e Espanhola.

A Inglaterra, que tinha interesses econômicos na região, atuou como mediadora e em 1828, propôs um acordo entre Brasil e Argentina, o qual estabelecendo que a Província da Cisplatina não pertencesse a nem um dos dois, mas seria independente.
 Nascia assim a República Oriental do Uruguai em 1828.


Os brasileiros não apoiavam este conflito, da Guerra Cisplatina.
Este episódio desgastou muito a imagem de Dom Pedro I.

De 12 de outubro de 1822 a 7 de abril de 1831 foi o período que Dom Pedro I permaneceu como Imperador do Brasil e sendo muitos os acontecimentos ocorridos nestes nove anos.

O falecimento da imperatriz Maria Leopoldina na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1826.

O falecimento de seu pai o Rei Dom João VI ocorrido em Portugal no dia 10 de março de 1826, sendo que ele era o herdeiro da coroa de Rei de Portugal.

Mesmo ele sendo o Imperador do Brasil, foi para Portugal assumir o trono de seu pai, tornando-se o Rei Dom Pedro IV e sendo o 27° rei de Portugal.
Ele não podia acumular as duas coroas, o de Rei de Portugal e o de Imperador do Brasil. Então em 29 de abril de 1826, abdicou do Trono de Rei de Portugal em favor de sua filha, Maria da Glória.

Maria da Gloria estando com apenas sete anos de idade, nascida em 4 de abril de 1819 e se tornando a Rainha Maria II de Portugal.
Sua tia Dona Isabel Maria Bragança, irmã de seu pai o Rei Dom Pedro IV, foi escolhida como sua tutora e regente até que a sobrinha tivesse maior idade e ele retornando ao Brasil.

Porem Dom Miguel Maria do Patrocínio seu irmão também filho de D. João VI reivindicando para si o trono de Rei de Portugal e aliando-se aos setores mais conservadores da nobreza, foi proclamado também Rei de Portugal em 23 de Julho de 1828.

Isto provocou o início das Guerras Liberais portuguesas, uma guerra civil entre os liberais partidários de D. Pedro I e os conservadores partidários de D. Miguel. Guerra que iniciou em 1828 e perdurando ate 1834.
Dom Pedro vendo-se assim forçado a regressar a Portugal para lutar pela causa liberal e pelo reconhecimento do direito de sua filha ao trono português..
. Por estes acontecimentos em 7 de abril de 1831 Dom Pedro abdicou da coroa de Imperador do Brasil em favor de seu filho Pedro de Alcântara que estava com apenas cinco anos de idade e tornando  o futuro Imperador Dom Pedro II.

José Bonifácio que já tinha retorno ao Brasil e reconciliado com o imperador, quando de sua abdicação, em 1831 a favor de seu filho. Foi o José Bonifácio, quem assumiu a tutoria de seu filho e permanecendo como tutor do futuro D. Pedro II até 1833.

José Bonifácio ao assumir a responsabilidade junto a Dom Pedro I era de permanecer como tutor de seu filho, o futuro Imperador, até que ele se tornasse de maioridade.  O futuro Dom Pedro II estava com apenas cinco anos de idade. Porem ele  permanecendo como tutor apenas por dois anos  até  1833  quando por motivos políticos foi destituído do cargo.

Após Dom Pedro I ter abdicado do trono de Imperador do Brasil partindo com destino a Portugal que não tendo como desembarcar em terra firme por motivo das Guerras Liberais portuguesas ele desembarcou com as suas tropas no arquipélago do Açores que era pertencente a Portugal desde o século XV.

O Arquipélago do Açores é formado por diversas ilhas, onde já existia uma aldeia criada por Portugal foi onde ele estabeleceu sua base de operações.

 O Arquipélago dos Açores estava em poder do exército fieis aos Liberais partidários da Rainha D. Maria II de Portugal.

 D. Pedro não podendo desembarcar com sua tropa em terra firme dirigiu para Açores onde montou sua base. Ele assumindo o comando da expedição preparando para o momento certa de invadir Portugal.

 Sobre o comando de D. Pedro, iniciou-se o recrutamento de voluntários para o exército.

 “A Guerra Liberais portuguesas que tinha iniciado em 1828 e perdurando ate 1834 sendo que os conservadores partidários de D. Miguel foram vencidos. As tropas de D. Pedro conseguiu derrotar as tropas dos conservadores partidários de Dom Miguel, mas D. Pedro já estava doente e vindo a falecer ainda em 24 de setembro de 1834, por conta de uma tuberculose”.

Com a abdicação de D. Pedro e seu retorno definitivo para Portugal em 7 de abril de 1831 a maçonaria no brasil que tinha sido suspensa em 25 de outubro de 1822, foi reinstalada. Sua reinstalação aconteceu em novembro de 1831  e sendo com um novo titulo o de Grande Oriente do Brasil que perdura ate os dias de hoje.

 José Bonifácio de Andrada e Silva retornando ao cargo de Grão Mestrado que exerceu de novembro de 1831 ate 1837. Seu sucessor no Grão Mestrado foi Antônio Francisco de Paula Holanda.
José Bonifácio de Andrada e Silva faleceu  em 1838 e deixando um legado incalculável para o Brasil e a Maçonaria




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